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Fomentando a espiritualidade

A coisa mais bela que podemos experimentar é o mistério. Essa é a fonte de toda a arte e ciências verdadeiras. Albert Einstein - Físico alemão

Em comunhão com a Igreja

Não somos uma ilha... Não somos auto-suficientes. Nossas vidas precisam de duas coisas para poder crescer: comunhão com Deus e comunhão com os irmãos.

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Conhecendo a Igreja

O que ocorre na Igreja particular de Pouso Alegre você fica sabendo primeiro aqui!

terça-feira, 31 de maio de 2011

Falecimento do Missionário Redentorista Pe Helio de Pessato Libardi


Faleceu na tarde de ontem (30) no Hospital São Lucas em Ribeirão Preto, o Missionário Redentorista padre Hélio de Pessato Libardi.

O corpo de padre Libardi, será levado para Araraquara (SP), onde será velado esta noite. Amanhã na parte da manhã, o corpo do sacerdote será levado para Tietê (SP).

Às 15h haverá a Missa de Corpo Presente e, às 16h, o sepultamento no cemitério local.

Padre Libardi tinha 70 anos de idade, 50 de Profissão Religiosa e 44 de sacerdócio.

Foi internado por uma dissecção da aorta e submetido à cirurgia. Com problemas pela dificuldade de cicatrização, sofreu mais duas operações, vindo a falecer durante cirurgia no hospital São Lucas de Ribeirão Preto.

‘O Bom Pastor o conduza para as águas tranquilas. Que ele interceda por nós junto do Pai’.

Pe. Hélio de Pessato Libardi – Nasceu em 9 deabril de 1941, em Tietê (SP). Seus pais: João Libardi e Hermínia de Pessato Libardi. Família numerosa: 13 filhos, dos quais dois são Religiosos. É o 8º filho do casal.

Entrou  para o Seminário Santo Afonso, em Aparecida, no dia 11 de agosto de 1952, onde terminou os estudos em 1959. Em 1960, fez o Noviciado em Pindamonhangaba e aí fez sua Profissão Religiosa na Congregação Redentorista, no ano de 1961.

Os estudos de Filosofia e Teologia foram feitos em Tietê e no Alfonsianum, em  São Paulo, Capital. Fez a Profissão Perpétua na Congregação em Tietê, em 1964. Foi Ordenado Sacerdote em 1967, em Tietê (SP), por Dom José Melhado Campos, Bispo de Sorocaba (SP).

Começou sua vida apostólica em 1968,  como professor e auxiliar do diretor do Seminário Menor de Santa Teresinha, em Tietê (SP). Em dezembro de 1972, foi nomeado Diretor do Seminário, aí ficando até o fim de 1978, quando foi transferido para São João da Boa Vista, como missionário das Missões Populares.

Foi Conselheiro Provincial,  de 1982 a 1984. Por várias vezes foi membro do Capítulo Provincial. Trabalhou na preparação do Congresso Eucarístico Nacional de Aparecida, em 1985.

No 2º semestre de 1987, viajou a Roma para  uma reciclagem pastoral, de onde voltou em julho de 1988 e continuou seu apostolado nas Missões Populares.

Em 1990 foi eleito Superior Provincial da Província Redentorista de São Paulo.

Terminado seu mandato, em 1997, foi transferido para Sacramento (MG). Em 1998 foi transferido para Araraquara, onde se encontrava até hoje, trabalhando nas Missões Populares.

Missionário e escritor escritor, era muito procurado para aconselhamento e direção espiritual.

Fonte: http://www.a12.com/noticias/noticia.asp?ntc=faleceu_padre_helio_de_pessato_libardi.html

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Curso de Atualização do Clero Pouso-Alegrense



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Nos dias 18 e 19 de maio no Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora Auxiliadora em Pouso Alegre, realizou-se o Encontro de Atualização Teológica do Clero pouso-alegrense. O encontro contou com a presença do ilustríssimo Frei Dr. Carlos Josaphat, dominicano, mineiro de Abaeté, é jornalista, teólogo, escritor, professor emérito da Universidade de Friburgo, na Suíça, doutor em Teologia com especialidade em Ética da Comunicação Social. Autor de vários livros, empenha-se particularmente nos estudos dos problemas da justiça social e no confronto da ética com os desafios da moderna civilização técnico-científica, que expôs com maestria o tema: Vaticano II: o maior dos Concílios, rosto jovial, evangélico e humano da Igreja.

sábado, 7 de maio de 2011

PAPA: "É EQUIVOCADO OPOR TRADIÇÃO E PROGRESSO"



“É equivocado opor tradição e progresso na liturgia, porque nela está a renovação da própria força de Cristo, que lhe fornece vida com a sua presença”. Com essas palavras, Bento XVI iniciou a celebração dos 50 anos de fundação do Pontifício Instituto Litúrgico, recebendo em audiência, no Vaticano, os 250 participantes do IX Congresso Internacional de Liturgia, promovido pelo Pontifício Ateneu Sant’Anselmo.

Conforme afirmou o Papa, “a liturgia dá força à Igreja, permite que esta veja o Cristo Ressuscitado e em ação, e educa ao primado da fé e da graça”. O Pontífice examinou os 50 anos de hereditariedade conciliar, constatando que “nos tempos do Vaticano II, havia a exigência primordial de suscitar uma participação mais ativa dos fiéis nas celebrações litúrgicas”.

“Entre memória e profecia”, conforme indica o título desse Congresso, o Santo Padre recordou o que as Instituições Acadêmicas como o Ateneu ou o Pontifício Instituto Litúrgico fizeram no sentido de ajudar o povo de Deus. Citou a palavra ativa de Cristo, aquilo que realizou na sua passagem em meio aos homens e lembrou que “Ele continua operante através da sua ação sacramental pessoal, cujo centro é constituído pela Eucaristia.

“Não poucas as vezes em que se contrapõem de modo desastrado tradição e progresso. Na realidade, os dois conceitos se integram – disse o Papa. A tradição é uma realidade viva, e inclui, portanto, em si própria, o princípio do desenvolvimento, do progresso. É como dizer que o rio da tradição traz consigo também a sua nascente, enquanto corre em direção à foz”.

Fonte: http://www.radiovaticana.org/bra/Articolo.asp?c=484876

sábado, 23 de abril de 2011

Teatro "Paixão de Cristo" em Estiva reúne milhares de fiéis na Sexta-Feira Santa



O espetáculo teatral “Paixão de Cristo” trata-se de um projeto cultural sem fins lucrativos, apresentado na cidade de Estiva-MG, desde o ano de 2003, em data fixa – sempre na sexta-feira da Paixão -, sob direção da COPPAC (Comissão Organizadora da Peça Paixão de Cristo), composta por voluntários.


O espetáculo é o maior teatro ao ar livre do sul de Minas, e o segundo maior de todo o estado, perdendo apenas para o teatro apresentado pela PUC na capital mineira. Convém ressaltar que o espetáculo apresentado em nossa cidade é maior até mesmo que o tradicional teatro apresentado na histórica cidade de Ouro Preto.

A apresentação é feita por 250 pessoas, entre atores amadores (que interpretam os personagens principais) e figurantes (100 pessoas que figuram como povo judeu, 46 como soldados romanos, além dos escravos, dançarinas etc).

Os cenários são montados em 3 palcos, sendo um palco central fixo já existente no parque de exposições e dois palcos móveis montados na arena do local. Nos palcos móveis são montadas os cenários do Templo de Jerusalém e do Horto das Oliveiras. No palco fixo são montados, inclusive com troca de painéis, os cenários da Santa Ceia, do fórum de Pilatos, do Palácio de Herodes e do Calvário. A arena ainda é utilizada para a apresentação de algumas cenas, como os milagres de Jesus, o apedrejamento da adúltera e o caminho do calvário.

Para a execução do espetáculo são contratados serviços de som e iluminação profissionais, além de dois telões para que os expectadores possam acompanhar melhor os detalhes de cada cena.

Os espectadores assistem ao espetáculo da arquibancada, que comporta cerca de 5.000 pessoas e sempre lota. A entrada é franca.

Fonte: http://clauestiva.blogspot.com/ Blog da Claudia Noronha

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Pequeno Manual para a Semana Santa

“A Liturgia da Semana Santa seja realizada de modo a poder oferecer ao povo cristão a riqueza dos ritos e orações; é importante que seja respeitada a verdade dos sinais, se favoreça a participação dos fiéis e seja assegurada a presença de ministros, leitores e cantores”.

É nessa perspectiva que nasce não sei se poderia chamar de “Pequeno Manual da Semana Santa”, e que se dirige de maneira peculiar às Equipes de Liturgia, Ministros Extraordinários da Distribuição da Comunhão Eucarística, enfim, a todas aquelas pessoas que estão empenhadas e colaboram com os sacerdotes nas comunidades paroquiais.

Pois, nas várias paróquias, comunidades e capelas por onde passei ainda como seminarista, senti as dificuldades e ao mesmo tempo a disponibilidade daqueles leigos e leigas em preparar bem a “GRANDE SEMANA”.

O nosso “pequeno manual” apesar de ser pautado no Magistério atual e nos livros litúrgicos renovados, têm falhas! E se você tem uma sugestão para o enriquecimento destes grandes dias, envie-nos.

E que seja para Maior Glória de Deus e Salvação das Almas!

Fraternalmente,

Pe. Rogério Cabral Caetano

Coordenador Diocesano de Liturgia e Cerimônias Episcopais

Pça. José do Canto Mascarenhas, 70 – Lia Márcia

Bom Jesus do Itabapoana-RJ CEP 28360-000

Email: rocabralc@hotmail.com

Diocese de Campos-RJ.
I – DOMINGO DE RAMOS:

a) Deve-se marcar uma única e grande, procissão. De preferência os fiéis se reunindo numa Igreja menor para a sede paroquial;

b) Para o sacerdote deve-se preparar um ramo maior e mais esplendoroso e amarrado com um laço de fita vermelha;

c) Deve-se preparar uma folha com cânticos apropriados, bem como um carro de som para o início da cerimônia e também para toda a procissão, de maneira que não haja improvisação.

d) Caldeirinha e hissope de água benta.

e) Após a benção dos ramos, segue-se precedidos pelo sacerdote e ministros a procissão com cânticos, turíbulo, cruz e velas (lanternas);

f) Toda a liturgia da palavra deve ser distribuída entre os leitores com antecedência para não haver improvisação;

g) Todo o caminho onde passará o cortejo processional, poderá ser decorado com ramos, e no chão podem-se jogar folhas de árvores picadas fazendo um grande tapete.

h) Na leitura da Paixão não se usa incenso, nem velas, sem a saudação do povo e sem o beijo no livro do sacerdote;

i) A cruz processional pode ser decorada com ramos bentos;

j) Na procissão, à frente do celebrante vai se o Evangeliário, ou na falta deste, o lecionário correspondente devidamente marcado;

k) O celebrante poderá usar na procissão pluvial vermelho ou na falta deste, casula de cor vermelha;

m) O celebrante ao chegar ao presbitério, se usou pluvial na procissão, retira-o coloca a casula (que está sobre o altar), reverencia o altar e incensa o mesmo.

n) Devem-se preparar ramos para os fiéis como também para serem guardados para a quarta-feira de cinzas do próximo ano (para se fazer as cinzas).

o) Na procissão do ofertório, podem ser conduzidos três símbolos evocativos dos três mistérios que a Igreja irá celebrar no Tríduo Pascal: O PÃO E O VINHO (lembrando a Ceia do Senhor na quinta-feira santa); UMA CRUZ (lembrando a cruficação do Redentor a ser celebrada na sexta-feira santa); CIRIO PASCAL (lembrando a vitória da luz sobre as trevas com a Ressurreição de Cristo a ser celebrada na Vigília Pascal e no Domingo de Páscoa).
II – MISSA DA CEIA DO SENHOR (Lava-pés):

a) Inicia-se o tríduo sagrado, chamado também de o “Tríduo do crucificado, do sepultado e do ressuscitado”.

b) Cruz processional, velas, turíbulo fumegando.

c) Matracas.

d) Pode-se entrar na procissão de entrada os santos óleos que foram abençoados pela manhã na Catedral pelo Sr. Bispo. Prepara-se no presbitério uma mesa para colocá-los. Para serem levados ao presbitério os santos óleos, poderiam três jovens vestir túnicas das respectivas cores dos óleos: ROXO (óleo dos enfermos); ROSA (óleo do Crisma); BRANCO (óleo do batismo).

e) Pode ser decorado perto do altar e nunca em cima do mesmo, com pão, uva, vinho.

f) Antes da celebração, o sacrário deve estar vazio. As hóstias para a comunhão dos fiéis devem ser consagradas na mesma celebração da missa de maneira suficiente para o dia seguinte também (Sexta-feira santa).

g) Reserve-se uma Capela para conservação do Santíssimo Sacramento e seja ela ornada de modo conveniente, para que possa facilitar a oração e meditação: recomenda-se o respeito

daquela solenidade que convém à liturgia destes dias, evitando ou renovando qualquer abuso contrário.

h) Durante o canto do hino do “Glória” tocam-se os sinos (da torre e do altar). Concluído o canto eles ficarão silenciosos até o “Glória” da Vigília Pascal.

i) O órgão ou outros instrumentos a partir do canto do “Glória”, só serão utilizados para sustentar o canto. De maneira que não se use nem bateria e nem pandeiros…

j) Seja conservada para o lava-pés a escolha de alguns homens, e como sugestão podendo ser 12 que significa os 12 apóstolos. Neste momento o celebrante retira a casula e cinge-se com uma toalha grande que possa ser amarrada à cintura e ao mesmo tempo enxugar os pés dos discípulos, a casula ficará aberta sobre o altar. Após terminar o lava-pés e ter lavado as mãos vestirá novamente a casula. Pode ser dado para os homens um pão.

k) Na procissão do ofertório tendo sido feita uma conscientização na comunidade, a comunidade pode fazer doação de alimentos não perecíveis para os menos favorecidos, como nos sugere o Missal Romano.

l) Na consagração, não se toca a campainha e sim as matracas.

m) Após a oração da comunhão, forme-se o cortejo, passando por toda a Igreja, que acompanha o Santíssimo Sacramento ao lugar da reposição. A procissão é precedida pelo cruciferário, as velas, o turíbulo fumegando e as matracas.

n) Usa-se a Umbela para cobrir o Santíssimo.

o) Nunca se pode fazer a exposição com o ostensório. (A reserva Eucarística deverá ficar dentro do sacrário).

p) Na adoração até a meia-noite, pode ser lida uma parte do evangelho segundo João Cap. 13-17. Após a meia noite, esta adoração seja feita sem solenidade já que começou o dia da paixão do Senhor. Recomenda-se o silêncio.

q) A capela do Santíssimo pode ser ornada com flores, com todo esplendor.

r) O sacerdote deveria usar pluvial e véu umeral festivo na transladação do Santíssimo Sacramento em direção ao altar da reposição. Na falta do Pluvial use pelo menos o véu umeral sobre a túnica ou alva com estola.

s) Concluída a missa é desnudado o altar da celebração. Convém cobrir as cruzes da Igreja com um véu de cor vermelha ou roxa.

Para a missa deve-se preparar:

a) Âmbulas com partículas para consagrar para essa missa e para a Sexta-feira;

b) Véu de ombros;

c) Turíbulo com naveta;

d) Tochas e velas;

Para o lava pés:

a) Assentos para os homens designados;

b) Jarro de água e bacia;

c) Toalha para enxugar os pés;

d) Sabonete (para o sacerdote lavar as mãos)
III – CELEBRAÇÃO DA PAIXÃO DO SENHOR

a) Neste dia não se celebra a Eucaristia.

b) Guarda-se o jejum e a abstinência.

c) Só se celebram nestes dias os sacramentos da Unção dos enfermos e da Confissão.

d) Prepara-se tapete e almofadas para os sacerdotes (presidente e concelebrantes).

e) Os sacerdotes prostam-se os demais ministros, coroinhas e povo ajoelham-se.

f) Prepara-se uma cruz que deve ser esplendorosa coberta com um véu vermelho e dois castiçais com velas (na credencia no fundo igreja).

g) Durante a adoração e o beijo devocional, canta-se hinos apropriados e salmos.

h) Depois da comunhão proceda-se à desnudação do altar, deixando a mesma cruz no centro do altar, com quatro castiçais.

i) Pode-se fazer até a hora da procissão do Senhor Morto a via-sacra.

j) Tendo a procissão do Senhor Morto, pode-se deixar o esquife a veneração pública, juntamente com a imagem de Nossa Senhora das Dores. Na procissão recomenda-se silêncio e orações e também o uso das matracas, bem como um carro de som com canto gregoriano, ou cantos penitenciais.

Na credencia:

a) Missal

b) Lecionário

c) Toalhas para o altar

d) Corporais com sangüíneos

e) Purificatório

f) Velas para o altar.

g) Âmbulas
IV – VIGÍLIA – SÁBADO SANTO:

a) Pode continuar exposta durante o dia para a veneração dos fiéis, uma imagem do Cristo crucificado, ou morto bem como a imagem da Santíssima Virgem das Dores.

b) Pedir com antecedência que os fiéis tragam velas ou a paróquia oferecer.

c) Evite-se com todo o cuidado que os salmos da vigília sejam substituídos por canções populares.

d) No canto do “Glória”, tocam-se os sinos, e também se podem preparar fogos de artifício.

e) O círio Pascal é colocado no presbitério, ao lado do ambão. O pedestal onde ficará o círio poderá ser decorado com flores.

f) O tempo pascal vai até o dia de Pentecostes, nesse dia sairá solenemente do presbitério o Círio Pascal, o qual ficou todo esse tempo no presbitério. A partir desse dia só será usado, nas cerimônias do batismo e Crisma. (O Sacerdote poderá usar o Rito para apagar o Círio Pascal)

O que preparar:

Para o fogo:

a) Uma fogueira podendo ser na frente da Igreja e que seja bem expressiva, quer dizer, que sua luz possa clarear mesmo.

b) O Círio Pascal (que seja novo, nunca se deve reaproveitar o Círio do ano que passou).

c) Cinco cravos, com grãos de incenso colocados nos mesmos.

d) Um estilete, para fazer a incisão no círio.

e) Uma vela grande para o celebrante acender o círio com o fogo novo.

f) Lanterna para iluminar os textos que o celebrante há de recitar.

g) Pegador de macarrão, para o turiferário tirar as brasas acesas do fogo novo e colocá-las no turíbulo.

h) Candelabro para o círio pascal, posto junto do ambão.

i) Preparar um microfone e um bom som, para o celebrante e o comentarista, onde começara a cerimônia, com a bênção do fogo novo.

Para a liturgia batismal:

a) Recipiente com água;

b) Quando se administram os sacramentos da Iniciação Cristã: óleo dos catecúmenos, Santo Crisma, vela batismal, Ritual Romano.

c) Apagam-se as luzes da Igreja.

d) Mesmo não havendo batismo deve-se preparar um recipiente (sugiro talhas de barro) com água para a aspersão.

e) Caldeirinha (vazia) com hissope para a hora da aspersão.

Benção do Fogo e Preparação do Círio:

a) O Celebrante vai com paramentos brancos, à sua frente vai um dos acólitos ou Ministro com o Círio Pascal.

b) Não se leva a cruz processional nem velas acesas.

c) O turiferário leva o turíbulo sem brasas com a naveta.

Procissão:

a) Depois de acender o Círio, o celebrante deita o incenso no turíbulo, se houver diácono ou padre concelebrante este levará o Círio Pascal, na falta destes o Celebrante principal o levará.

b) Organiza-se a procissão que entra na Igreja. À frente de quem leva o Círio (Padre ou Diácono), vai o turíbulo fumegando. Seguem-se outros ministros, coroinhas e todo o povo com as velas apagadas na mão.

c) À porta da Igreja, o celebrante (ou diácono) erguendo o Círio canta: “Eis a luz de Cristo!” e todos respondem: Graças a Deus!

d) Depois, o celebrante principal (ou diácono) avança até ao meio da Igreja, pára e, erguendo o Círio, canta a Segunda vez: “Eis à luz de Cristo!” e todos respondem: Graças a Deus! Todos ascendem as suas velas. Passando o lume de uns aos outros.

e) Ao chegar diante do altar, o celebrante (ou diácono) pára, e, voltado para o povo, canta pela terceira vez: “Eis a luz de Cristo!” e todos respondem: Graças a Deus! Em seguida coloca o Círio no candelabro preparado junto do ambão.

f) Acenden-se todas as luzes da Igreja.

Precônio Pascal:

a) O celebrante deita incenso do turíbulo e benze-o como para o Evangelho na Missa.

b) Havendo diácono ou padre concelebrante este fará a proclamação da Páscoa.

c) Enquanto isso da cadeira o celebrante principal segura uma vela acesa na mão, de pé, para ouvir o precônio pascal.

d) Todos se conservam igualmente de pé com as velas acesas na mão.

e) Terminado o precônio pascal, todos apagam as velas e sentam-se.

f) Após a última leitura do Antigo Testamento, com o seu responsório e respectiva oração, acendem-se as velas do altar e é entoado solenemente o hino: “Glória a Deus nas alturas” neste momento tocam-se os sinos, e os demais instrumentos que até então estavam silenciosos. Neste momento, também o altar é decorado com arranjos de flores, que deverão estar preparados na sacristia.

g) Na proclamação do Evangelho, não levam as velas, somente o turíbulo fumegando.

h) Após o Evangelho, faz-se a homilia; proceda-se a liturgia batismal, se houver.

i) Havendo batismo, sua liturgia efetua-se junto a pia batismal ou mesmo no presbitério. Onde por antiga tradição, o batistério estiver localizado fora da Igreja, é lá que se tem de ir para a liturgia batismal.

j) Primeiro faz-se a chamada dos catecúmenos, que são apresentados pelos padrinhos ou se forem crianças, levados pelos pais e padrinhos.

k) A liturgia batismal acontecendo no presbitério, após a monição do celebrante principal, segue-se a ladainha cantada, à qual o povo responde, de pé, por ser tempo pascal.

l) Terminada a ladainha, o Celebrante principal, de pé, junto da fonte batismal, com as mãos estendidas, benze a água. Pode-se introduzir na mesma água o círio pascal, uma ou três vezes, como vem indicado no missal.

m) Terminada a benção da água e dita a aclamação pelo povo, o celebrante principal, interroga os “eleitos” adultos, para que façam à renúncia, segundo o Rito da Iniciação Cristã dos adultos, e os pais ou padrinhos das crianças, segundo o Rito para o batismo de criança.

n) Faz-se agora a unção com o óleo dos catecúmenos.

o) O celebrante interroga os eleitos a cerca de sua fé. Tratando-se de crianças, pede-se a profissão de fé dos pais e padrinhos ao mesmo tempo.

p) Após o interrogatório, o celebrante batiza os eleitos.

q) Terminado o batismo, acontece a unção com o óleo da crisma.

r) Após a unção o celebrante, acende avelã no Círio Pascal.

s) Terminada a ablação batismal e os atos complementares e efetua-se, o regresso aos bancos, em procissão e com as velas acessas. Durante o retorno, canta-se um canto batismal.

t) Sendo batizados adultos, é administrado-lhes também o sacramento da confirmação.

Renovação das Promessas do Batismo:

a) Concluído o rito do batismo e da confirmação, ou, se não tiver havido nenhum nem outro, após a benção da água, o celebrante principal estando de pé voltado para o povo, recebe a renovação das promessas da fé batismal dos fiéis, que se conservam de pé com as velas acessas na mão.

b) Terminada a renovação das promessas do batismo, o celebrante principal ajudados pelos padres concelebrantes ou diáconos, se houver, asperge o povo com água benta, enquanto isso se canta um canto de sentido batismal.

c) Por fim, a missa decorre como de costume, e com solenidade.

d) Em algumas paróquias tem-se o costume de fazer a procissão do Senhor Ressuscitado e do triunfo de Nossa Senhora. Portanto, a Imagem de Jesus Ressuscitado, deve estar em um andor devidamente ornado para a procissão ou carreata após o término da Vigília pascal.
V – ORIENTAÇÕES GERAIS:

a) Antes de iniciar a sexta-feira santa e concluindo o tempo quaresmal seja feito o Ato Penitencial Comunitário com confissões individuais.

b) O tempo quaresmal vai até à Quinta-feira Santa.

c) A partir da missa “da Ceia do Senhor” inicia-se o Tríduo Pascal.

d) Marcar uma reunião com toda a equipe de liturgia com o sacerdote para acertar todos os detalhes;

e) Dividir as leituras com antecedência;

f) Os Salmos devem ser todos cantados com a participação do povo;

g) Deve-se montar uma “Equipe de Semana Santa”;

h) Ex.: Batedores de Sino e matraca;

i) Fogueteiro (para o momento do Glória da Missa da Ceia do Senhor e da Vigília Pascal)

j) Organizadores de procissão;

k) Organizadores de andores;

l) Cortadores de Ramos (serviço que deve ser feito com antecedência)

m) Leitores e Cantores de Salmos

n) Animadores de procissão.
VI – PARALITURGIAS E PIEDADE POPULAR

a) Quarta-feira Santa: Procissão do Encontro do Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores;

b) Sexta-feira Santa: Sermão das 7 Palavras, descimento do Senhor Morto da cruz e procissão do enterro( Em alguns lugares o povo tem a tradição de dar um beijo na imagem do Senhor morto. É mais uma oportunidade para evangelizar, fazendo com que a devoção seja mais significativa, através dos vários grupos, movimesntos, pastorais, etc. Destacar e dar um significado ao beijo das crianças, dos jovens, dos casais, dos homens e das mulheres, dos idosos, dos doentes, etc. Uma pequena paraliturgia pode ser preparada para este momento, com cânticos penitenciais e fazendo uma ligação com a Campanha da Fraternidade do ano corrente.

Fonte: http://www.presbiteros.com.br

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Aniversário de 49 anos da Arquidiocese de Pouso Alegre

A Arquidiocese de Pouso Alegre comemora hoje dia 14 de abril seus 49 anos de elevação à Arquidiocese e a criação da Província Eclesiástica de Pouso Alegre pela Bula “Qui Tanquam Petrus”, do Papa João XXIII. A Província eclesiástica de Pouso Alegre foi criada com as dioceses de Guaxupé, desmembrada da província eclesiástica de Belo Horizonte, diocecese de Campanha e diocese de Pouso Alegre desmembradas da Província Eclesiástica de Mariana. A diocese de Pouso Alegre foi elevada a categoria de Sede Metropolitana, tendo como sufragâneas Campanha e Guaxupé sendo seu primeiro Arcebispo Dom José D'Angelo Neto. Com a elevação à Arquidiocese a Catedral e o Colégio dos Cônegos (Cabido) foram elevados ao grau e à dignidade de arquiepiscopais e metropolitanos.



Dom José D'Angelo Neto - Primeiro Arcebispo de Pouso Alegre



Cabido Metropolitano de Pouso Alegre


Dom Ricardo Pedro Chaves P. Filho O.Praem - Terceiro Arcebispo de Pouso Alegre

sábado, 9 de abril de 2011

Retiro dos Diáconos

Entre os dias 04 e 07 de abril realizou-se, na casa de retiros da Comunidade Sol de Deus em Itajubá, o retiro em preparação para a ordenação presbiteral dos Diáconos da Arquidiocese de Pouso Alegre: Diác. Alexandre Acácio Nogueira, Diác. Flavio Sobreiro da Costa, Diác. Francisco José da Silva, Diác. Paulo Giovanni Pereira, Diác. Paulo Roberto de Andrade e o Diác. Samuel de Faria Gâmbaro. O pregador foi o padre Pe. Antonio Carlos C. Santos (Maristelo), mestre de Noviços dos Missionários do Sagrado Coração de Itajubá, MG.


De 09/04/2011

Jardins na Comunidade Sol de Deus

De 09/04/2011

Capela de São Miguel


De 09/04/2011

Diác.Samuel, Diác.Paulo Roberto,Diác. Robson, Pe. Maristelo, Diác.Paulo Giovanni, Diác.Alexandre e Diác. Francisco.

De 09/04/2011

Diác.Samuel, Diác.Flávio ,Diác. Robson, Pe. Maristelo, Diác.Paulo Giovanni, Diác.Alexandre e Diác. Francisco.

Fotos: Diác. Flávio Sobreiro

sábado, 2 de abril de 2011

Panorama da liturgia no Brasil

Segue abaixo uma entrevista feita a Dom Antonio Carlos Rossi Keller, Bispo da Diocese de Frederico Westphalen – RS, sobre alguns aspectos da liturgia.

1. Como V. Excia. vê hoje a questão da liturgia no Brasil e no mundo?

Vejo que estamos em um momento crucial, onde se deparam duas visões: a da continuidade, na fidelidade à longa Tradição Litúrgica da Igreja e a da descontinuidade, defendida por grande parte dos liturgistas em exercício. Esta segunda visão, a meu ver, constitui em um grave risco para a “lex orandi”, já que, em geral fundamenta-se em posturas inaceitáveis em relação à “lex credendi”. Ou seja, a meu ver o grande problema da Liturgia hoje é, antes de tudo, um problema de fé, ou melhor, da falta de fé.

2. João Paulo II, em sua Ecclesia de Eucharistia, falava de “sombras” no modo como a Missa é celebrada. Como interpretar a expressão de Sua Santidade?

A meu ver, o Servo de Deus, o Papa João Paulo II referia-se ao absurdo da idéia de uma liturgia “a ser construída pela comunidade local” como ainda hoje propugnam muitos leigos, sacerdotes e bispos. Esta visão outorga à comunidade local (pior ainda, a alguns ou a alguém desta comunidade) a suprema autoridade em decidir o “como deve ser a celebração litúrgica”, favorecendo às aberrações já tão sobejamente conhecidas. O resultado de tudo isto, que popularmente leva o nome de uma liturgia “inculturada”, é, na verdade, simples e pura aberração, violência às normas mais elementares da autêntica liturgia da igreja, o predomínio de um subjetivismo que pretende utilizar a Liturgia como um instrumento para impor visões ideológicas de pessoas ou grupos.

3. Qual a importância do latim na celebração litúrgica? E do canto gregoriano?

O latim tem seu lugar na vida litúrgica da Igreja como garantia da integridade da fé, manifestada nas celebrações litúrgicas. Não é a toa que todos os livros litúrgicos tem como ponto de referência as edições chamadas de “typica”. O gregoriano, por sua vez, constitui um rico patrimônio espiritual que não pode ser, simplesmente, jogado pela janela. Tanto o latim como o gregoriano nos servem como elo em relação à riquíssima Tradição Espiritual e Litúrgica da Igreja

4. É possível resgatar um uso mais regular do idioma latino mesmo na forma ordinária do rito romano, no chamado “rito moderno” esse que usamos em nossas paróquias? Como dar os passos para isso?´

Penso que sim, dêsde que se fuja da pura visão folclórica, ou de um saudosismo, a meu ver tão prejudicial como são os abusos cometidos na liturgia. O latim expressa a universalidade da Igreja, sua catolicidade, que é mais do que uma simples questão geográfica: a Igreja é a Una, Santa, Católica e Apostólica Igreja de Cristo, aberta a todas as geografias, a todas as culturas, a todas as épocas. Ora, isso exige, da parte de quem integra a Igreja, uma visão universal, aberta, não “paroquial”. O latim abre esta perspectiva de universalidade. O grande problema será sempre não uma simples questão de pronunciar bem, corretamente o latim, mas de abrir-se à catolicidade da igreja, sentir-se cidadão universal dela, pronto a aceitar em seu seio todas as realidades espirituais e humanas dignas. O uso do latim faz-nos compreender como nós, católicos, onde quer que estejamos, temos a mesma fé e celebramos os mesmos sacramentos.

Praticamente, penso que, antes de se começar a celebrar em latim, nas Paróquias, seria preciso deixar bem claro, para o povo, a razão disso… Senão, tudo não passa de uma simples questão de estética linguística, de uma busca de um “purismo” litúrgico que cria a mentalidade se fazer parte de uma casta especial na igreja (os que entendem latim…), que seriam aqueles que participam da Santa Missa em latim…: o restante dos comuns católicos continuariam na ignorância e na mediocridade litúrgicas…

5. E quanto à forma extraordinária do rito romano, o “rito tridentino”? Como vê V. Excia. esse aumento dos pedidos dos leigos para que se a celebre?

Vejo o rito extraordinário como êle o é: extraordinário. Não posso aceitar que as bases colocadas pelo episcopado do mundo todo, reunido em Concílio, tenham sido inválidas ou injustas. Quando criança, ajudei muitas vezes a Santa Missa no atual rito extraordinário. E algumas vezes, infelizmente, não saia edificado da Missa: muita pressa, palavras engolidas, atropeladas, distrações, etc. Ora, isto leva-me a pensar que a questão não está tanto no Rito usado (apesar que o rito ordinário poderia, talvez ser um pouco melhorado, favorecido), mas o que conta mesmo é o espírito com o qual deve-se celebrar, seja lá em que rito for… Penso que os pedidos suscitados pela abertura oferecida pelo Santo Padre, são, em sua imensa maioria, justos, já que as pessoas não suportam mais tantos abusos… Penso também que o aumento dos pedidos de celebrações na forma extraordinária não deve diminuir as exigências para que se celebre dignamente na forma ordinária.

6. Dizem que em dioceses e instituições que prezam a liturgia bem celebrada, de acordo com as rubricas, com incentivo ao canto gregoriano, à polifonia sacra, a um canto popular mais sóbrio, ao latim, às celebrações mesmo em vernáculo bem sacrais, há um aumento de vocações. Isso é verdade? Como V. Excia. analisa esse fenômeno?

Não posso ainda afirmar categoricamente isto. Estou fazendo por aqui um grande esforço para que não somente na Catedral Diocesana, ou onde o Bispo estiver se celebre bem, mas que em todas as Paróquias exista este princípio. Para poder responder de forma taxativa e afirmativa a esta questão, preciso de mais tempo. Estou aqui tão somente há menos de um ano. Mas, pessoalmente, acredito piamente nesta realidade.

7. O episcopado brasileiro percebe a importância do latim, da posição “versus Deum”, do canto gregoriano?

Não. Gostaria de salientar que não compartilho com esta oposição entre “versus populum” e “versus Deum”. Sinceramente, não vejo esta oposição na forma ordinária do Rito Romano. A meu ver, toda a Missa “versus populum” será sempre, fundamentalmente, “versus Deum”.

8. Há ainda muita confusão no clero, no episcopado e o laicato, achando que “Missa em latim” é apenas a Missa “tridentina”?

Absoluta confusão. Pior que isto, há um forte preconceito generalizado entre os padres e os senhores bispos do Brasil em relação ao uso do latim, na liturgia.

9. V. Excia. tem se destacado na promoção do adequado culto litúrgico. Tem enfrentado resistências? Como resolvê-las? Vê algum sinal de esperança?

Não enfrento nenhuma resistência em relação aos meus padres, que são todos muito bons e dedicados, desejosos de fazerem o que é certo. Estamos em constante diálogo, fundamentado na paciência e no respeito mútuo. Penso que este deva ser sempre o princípio normativo, não só em relação à liturgia, mas em todas as questões: a caridade e o respeito por aqueles que generosamente servem a Cristo,à Igreja e ao Povo Santo de Deus. A meu ver, se mais não conseguem oferecer, é porque pouco receberam. Cabe, pois, ao bispo, além de dar exemplo, proporcionar os meios para que as coisas melhorem, mas sempre com respeito e caridade. Recuso-me a governar a Diocese por meio de Decretos, que só servem para, na maioria dos casos, fazer o Bispo cair na tentação da vanglória e de imaginar que todos o obedecem na Diocese. Prefiro o caminho do exemplo e do diálogo.

10. O que V. Excia. pensa da tão falada “reforma da reforma”? Considera que as duas formas do rito romano irão, um dia, se fundir, com os melhores pontos positivos de cada uma? O que V. Excia. sugere em um eventual “rito romano unificado”? O que, da forma extraordinária, consideraria por bem estar presente também na forma ordinária? Alguma sugestão para a implementação da “reforma da reforma”?

Sou um pastor, não um liturgista ou um teólogo, no sentido próprio destes termos. Portanto, como Bispo, obedeço aquilo que a Igreja me indica. Não sei dizer qual será o futuro da liturgia: procuro viver e ensinar a viver com fidelidade as Normas Liturgicas atuais. Aquilo que a Santa Igreja, através de suas legítimas autoridades indicar neste sentido, terá sempre minha pronta e absoluta adesão.

11. Como V. Excia. enxerga a grande migração que muitos leigos, inclusive jovens, fazem em direção a grupos que, embora conservem a liturgia tradicional, a forma extraordinária, não estão em plena comunhão com Roma? O que fazer para solucionar o problema?

A razão desta migração, certamente, em alguns casos é uma sincera busca de algo mais consistente do que simples agitação, batucadas e bailes impropriamente tidos como litúrgicos. As pessoas que buscam a Deus não querem viver experiências que podem dar ou não dar certo. Ninguém gosta de ser cobaia… Assim, quando se oferece algo de qualidade, com garantia de que de fato funciona, as pessoas sentem-se mais seguras em buscá-las.

Contudo, a meu ver, nem todos aqueles que buscam estes ambientes tradicionalistas, tem retidão de intenção. Há muita gente desequilibrada por aí, buscando experiências místicas não corretas. Muitos destes que buscam este universo tradicionalista, aí não permanece… não é um fato, por exemplo, o número crescente também de sedevacantistas nestes ambientes?

12. O Cardeal Castrillón Hoyos insiste na chamada “ars celebrandi”, expressão que é frequentemente utilizada também por Bento XVI. Em que ela consiste, em sua opinião? Como colocá-la em prática?

A meu ver a “ars celebrandi” consiste, antes de tudo, na capacidade de interiorização do Mistério que se celebra, ou seja, na capacidade de “conectar-se”, para usar uma linguagem mais atual, à realidade litúrgica celebrada. Consiste na consciência de que se está diante de Deus, e de que toda a ação litúrgica a Ele é dirigida, exigindo este princípio um esforço consistente, que envolve a totalidade do ser. A “ars celebrandi” envolve toda uma atitude que, a meu ver, exige um antes, um durante e um depois de cada celebração, ou seja, uma preparação anterior fundamentada sempre que possível no silêncio, no diálogo com Deus; uma atitude de respeito e de atenção durante a celebração, vestes dignas, postura respeitosa, diria uma elegância no porte que revele a dignidade daquilo que se realiza; e uma ação de graças sentida e piedosa, para que a celebração repercuta nos demais atos sacerdotais. A “ars celebrandi” portanto não se constitui simplesmente em uma atitude respeitosa externa, mas tem raízes na alma…: a meu ver, a “ars celebrandi” mais do que na estética, é fundada na oração.

13. É visível o abandono da casula por boa parte do clero brasileiro. A que causas V. Excia. atribui a interpretação, deveras “benigna”, da norma que a dispensa em situações extremas, invocada pelos padres?

O abandono da casula nada mais é do que a expressão de uma mentalidade “minimalista” em relação à Liturgia. Faz-se o mínimo necessário, usa-se o mínimo necessário, etc…, tudo justificado pela idéia de se simplificar as celebrações, fugir-se da pompa e do ritualismo. Vai-se assim, procurando-se fugir de uma visão extrema de suntuosidade ao outro extremo, hoje mais comum, que é o do relaxo e do empobrecimento litúrgico.

14. Aliás, quais são as causas, na visão de V. Excia., de tanto desleixo para com a liturgia no Brasil? A teologia da libertação e o modernismo, condenado por São Pio X, têm que parcela de culpa?

A causa está, antes de tudo, em uma visão dessacralizadora da Liturgia. A idéia de se pretender uma Liturgia que tem como centro o homem, e não Deus. O resto, é consequência disto… Ou seja, a crise é, antes de tudo, de fé.

15. Alguns padres mais novos começam a vestir batina, a usar clergyman, a celebrar com decoro, a se interessar pelo latim, a usar tanto a forma ordinária bem celebrada (inclusive com latim e gregoriano) como a forma extraordinária. Também leigos bem formados estão despertando e tomando iniciativas apostólicas para promover a liturgia de acordo com o que nos manda Roma e conforme a tradição da Igreja. O que diz V. Excia. disso tudo?

Digo que também isto me preocupa. Tenho visto fotos e mais fotos de seminaristas de batina, faixa, barrete, peregrineta, capote, etc… e que, depois de ordenados sacerdotes, deixam tudo isto de lado, ou usam estas vestimentas tão somente “quando estão exercendo o ministério”, como se, para um sacerdote, fosse possível ter duas vidas, dois princípios norteadores para a própria vida. Minha opinião é a de que “o hábito não faz o monge, só o reveste”. Assim, para que tudo isto tenha sentido, é necessária autêntica busca da santidade, que, para um sacerdote, é a plena identificação com o Cristo Jesus, com seus sentimentos, com seus valores, com suas palavras, com seus amores, etc… Sem autêntica vida espiritual, ou seja, para a Liturgia, sem a autêntica interioridade, a Liturgia torna-se tão somente ritualismo farisáico. Metros e metros de pano, quilos e quilos de incenso, etc.. não servem para nada quando não existe um apaixonado amor a Cristo, a Sua Igreja e a Seu Povo. Vejo com esperança toda esta movimentação em relação à busca de uma Liturgia mais fiel à normativa da Igreja, mas penso que isto só não seja suficiente para uma autêntica renovação eclesial: precisamos não somente de gente que celebre ou que participe da Liturgia bem celebrada… Precisamos de gente SANTA que celebre e participe bem da Liturgia bem celebrada.

16. Aos que querem a Missa mais sóbria, de acordo com as normas, com incenso, latim, paramentos bonitos, logo se lhes acusam de “rubricistas” ou de “obtusos”, “antiquados” e até de “fariseus”. Dizem que a Missa tem que ser “alegre”, com palmas, pop-rock, improvisação, abraços nos irmãos, sem se prender a fórmulas. Alegam que Jesus quer animação, que o que importa é o coração, é o interior. Como responder a tudo isso?

Deve-se responder coma exemplareidade de celebrações bem realizadas. Mas também é preciso cuidar de que a parte humana, nas Comunidades onde se celebra decentemente, seja cuidada… As pessoas tem necessidades humanas de afeto, de encontro, de até festejar junto, ou de chorar junto. O erro não é a necessidade de fraternidade, de acolhida, de comemorações, etc…. O erro é querer fazer isto na Santa Missa, usando-a com finalidades incoerentes com os seus verdadeiros fins. A santa Missa não pode ser instrumentalizada. mas cada Comunidade cristã deve ter seus espaços de acolhida humana, sempre fundamentados na caridade do Senhor.

17. V. Excia. há poucos dias conferiu o canonicato a alguns de seus sacerdotes. Como vê a instituição do Cabido Diocesano, sua perda em várias dioceses, e a importância dele para a liturgia?

Quando cheguei à Diocese de Frederico Westphalen, imediatamente solicitei, por meio da Nunciatura Apostólica em Brasília, a Instauração do Colendo Capítulo de Cônegos de nossa catedral Diocesana.

A razão é dupla: em primeiro lugar, para que pudesse ter um Grupo seleto de presbíteros da Diocese que pudesse auxiliar-me e secundar-me para que as Celebrações Litúrgicas oficiais, na Catedral Diocesana de Santo Antonio assumissem uma maior dignidade e fossem sempre celebradas de acordo com as Normas Litúrgicas vigentes. Em segundo lugar, a ereção do Capítulo de Cônegos é também uma forma de expressar o respeito e o afeto do Bispo pelo Presbitério Diocesano, que, graças a Deus, é valoroso e sempre me dá muitas alegrias. A meu ver o descaso com os Capítulos deve-se ao fato de que canonicamente, o mesmo tenha perdido sua função de “senado do bispo”, sendo substituído por outras realidades de Comunhão.

18. Pode V. Excia. nos dar um exemplo concreto desse “governar com diálogo”, principalmente no campo da liturgia? Como, para usar suas palavras, “proporcionar os meios para que as coisas melhorem” na liturgia, na Missa, na beleza das celebrações, na correção dos equívocos?

Em relação à Liturgia, tenho, em primeiro lugar, dado o exemplo, ou seja, celebrado sempre na Catedral Diocesana de acordo com as regras litúrgicas vigentes, mas sempre com solenidade e dignidade. O resultado é o de ter sempre muita gente participando das Missas semanais celebradas pelo Bispo Diocesano, na Catedral, sempre nos domingos às 19,00 h. Além disso, celebro diariamente a Santa Missa, de 2a a 6a feira às 8,00 h, na Cripta da Catedral Diocesana. Naturalmente, uma Missa mais simples, mas sempre de acordo com as Normas Litúrgicas. Minha intenção é a da exemplaridade: que os padres celebrem bem, e que celebrem todos os dias, algo inusitado para esta última questão, por estes lados do Rio Grande do Sul. Além disso, tenho enviado mensalmente a todos os padres uma correspondência pessoal: uma carta amiga e fraterna, de pai e de pastor, tratando sempre de uma aspecto prático da vida e da espiritualidade presbiteral. Além disso, segue, junto à carta (chama-se “Carta aos Padres”) artigos específicos de temas práticos de pastoral. Ultimamente tenho enviado sempre temas de Liturgia, especificamente, sobre a “ars celebrandi”. O interessante é que já sente-se o resultado. Por aqui, não temos grandes abusos. Os mais visíveis são aqueles que dizem respeito à música litúrgica, já que a Diocese edita um “Livro de Cantos” (a última edição tem quase 10 anos) e neste livro foram colocados cantos que não estão adequados à Liturgia. Assim, estamos preparando uma revisão do livro. Em um ou outro lugar escutam-se, em alguns momentos, algumas palmas… etc.. mas, repito, nada que demonstre abusos mais graves, que digam respeito, por exemplo, à fé. Muitas das estranhezas litúrgicas que vejo, devem-se à passagem de algum liturgista (na verdade ALGUMA…) que espalhou algumas idéias estranhas, mas que, de fato, não penetraram com muita profundidade. Nosso presbitério é bem diferente do de São Paulo, por exemplo, onde predomina em muitos ambientes, a idéia de “inventar” a liturgia. Assim, mudando os cantos do livro, e procurando manter sempre esta atitude de enviar bom material etc.. aos padres, além de oferecer aos seminaristas a possibilidade de ajudarem nas cerimônias da Catederal (coisa que antes não existia), vejo que em breve teremos uma liturgia muito mais cuidada e adequada por aqui.

19. Um futuro promissor para a liturgia no Brasil é visto por V. Excia. a curto prazo? Quais os erros que devem ser evitados nesse trabalho de “reforma da reforma”?

Sou realista, mas tenho fé. Minha vida inteira de padre dediquei-me a formar seminaristas e a procurar celebrar sempre bem. Não digo isto como honra, mas como algo feito com consciência. Deus tem Seus tempos e Suas razões. Vivemos um período de purificação, na Igreja. Assim, não tenho noção a respeito de prazos, etc. Penso que cabe-nos sempre ser muito fiéis, especialmente em relação à Liturgia, e ter a paciência em saber esperar. Mesmo que Nosso Senhor não me dê a alegria de ver as coisas mudarem de fato, penso que, de alguma maneira, colaborei para que as coisas, de alguma maneira, em um dia que Deus sabe qual será, as coisas voltem ao eixo. Nós passamos, inclusive aqueles que organizaram ou mantiveram ou ainda mantém toda esta confusão. A Igreja permanece.

20. Por fim, uma palavra de incentivo aos leitores do Salvem a Liturgia, e seu pensamento acerca de nosso apostolado.

Quero dizer aos leitores que procurem, antes de tudo, viver a Liturgia, com interioridade e atenção. Repito o que já anteriormente disse: a autêntica participação na Liturgia exige interioridade, alma, amor a Deus. Vivamos a Liturgia não só na sua exterioridade tão bonita e necessária mas, principalmente, no que ela realiza de ato de amor a Deus.

Dom Antonio Carlos Rossi Keller
Bispo de Frederico Westphalen (RS)

Extraído de www.salvemaliturgia.com

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Semana Religiosa - O site de notícias da Arquidiocese de Pouso Alegre


Este espaço pretende fortalecer os laços de comunhão entre os membros do Clero de Pouso Alegre -MG

domingo, 17 de outubro de 2010

Liturgia do Dia - Site

http://liturgiadodia.blogspot.com/ Este é um excelente site sobre a liturgia diária para refletirmos e prepararmos nossas reflexões

quinta-feira, 18 de março de 2010

''Teologia pós-Google'': a religião na era Web

Como muitos norte-americanos, Doug Pagitt cresceu fora do mundo da religião organizada. Nem seus pais ou seus avós eram praticantes, e não havia expectativa de que ele seria diferente. Hoje, com seu cavanhaque, seu piercing de orelha e suas roupas na moda, ele poderia se passar facilmente por uma espécie de alternativo da Geração X que vive uma vida inteiramente secular.

Mas, aos 17 anos, Pagitt viu uma encenação da Paixão que o tocou como um raio e ele acabou se tornando um pastor cristão. Sua igreja emMinneapolis, Solomon’s Porch, está marcando terreno em um novo movimento que poderia ser chamado de Igreja 2.0.

A reportagem é de Mitchell Landsberg, publicada no jornal Los Angeles Times, 15-03-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Esse foi, de fato, um dos termos usados na semana passada durante uma conferência de três dias sobre o futuro do cristianismo norte-americano na Claremont School of Theology. Pagitt estava entre os 150 ministros, leigos e acadêmicos que se reuniram para discutir a "Teologia depois do Google".

O consenso: há um mundo totalmente novo lá fora. Ignorá-lo é um risco para as Igrejas.

"Eu acho que coisas como a denominação e a ordenação fazem parte do velho sistema de controle e dominação que deve acabar", disse Pagitt, hoje com 42 anos, descansando depois do primeiro dia de conferência no Bar Teológico montado para os participantes. Ao seu redor, a cerveja fluía, e a conversa saltava do Twitter ao evangelismo, para a formação das Igrejas, até o "corn toss", um jogo com saquinhos de areia popular no Meio Oeste norte-americano e em Appalachia, que está conquistando adeptos entre os teólogos de Claremont.

A premissa da conferência foi apresentada mais cedo, durante a tarde, por Philip Clayton, professor de Claremont, que falou sobre o papel da imprensa deGutenberg no século XV. Ao tornar a Bíblia disponível de forma mais ampla, afirmou, a religião foi democratizada, e isso levou diretamente à Reforma Protestante.

"Senhoras e senhores", disse Clayton, "hoje estamos falando sobre uma transição tão grande quanto aquela".

A escola de Claremont foi fundada pela Igreja Metodista Unida e funciona como seminário para os metodistas e para três outras denominações protestantes. Teológica e culturalmente, os participantes da conferência se inclinavam para ponta liberal do espectro. Um tema que surgiu foi se a direita cristã tem sido inteligente no uso das novas mídias e se as Igrejas progressistas precisam alcançá-la.

Mas, mais do que falar sobre como usar novas mídias e ferramentas de redes sociais, a conferência foi sobre como esses dispositivos refletem uma nova forma cultural de pensar que está mudando a maneira que as pessoas rezam. Clayton citou um recente relatório do Pew Forum on Religion and Public Life que descobriu que as pessoas na casa dos 20 anos hoje tem menos probabilidade de se afiliar a uma Igreja do que qualquer geração anterior.

Jon Irvine, um web designer de 30 anos que trabalha com o movimento da "Igreja emergente", disse que a Igreja do futuro deverá ser menos hierárquica e mais espontânea e ecumênica. Usando a fórmula familiar para acompanhar as mudanças de software, ele disse: "A Igreja 1.0 sempre teve a ver com um grande conselho de grande cérebros que se reuniam e lhe diziam: 'Fomos para uma sala e decretamos que você tem que acreditar'. A Igreja 2.0 é mais de baixo para cima. Cada homem é capaz de aprender e oferecer feedback. A Igreja 1.0 tem a ver só com credos e doutrinas, enquanto a Igreja 2.0 é uma espécie de wiki-teologia".

Nesse novo mundo, disse ele, "você pode ser um agente livre. Você pode começar a sua própria Igreja, ir a uma pequena comunidade de fé do outro lado da rua, ir a uma mega-Igreja. Você pode ser metodista hoje, anglicano amanhã – a escolha é sua".

Isso pode parecer heresia para alguns, para quem a doutrina é imutável. Mas se encaixa perfeitamente no espírito da conferência, onde nada, a não ser o troféu do campeonato de "corn toss", foi feito com alguma coisa sólida.

Clayton, o organizador, disse que o que estava acontecendo na conferência e em movimentos cristãos emergentes lembrava-lhe o Free Speech Movementda década de 60. "É algo cru, de improviso, mas não é apologético, sabe o seu propósito e ele é poderoso", afirmou.

A conferência começou com um anúncio incomum do co-moderador Tony Jones, um teólogo residente da Igreja de Pagitt, em Minneapolis, e autor de "The New Christians: Dispatches From the Emergent Frontier" [Os novos cristãos: mensagens da fronteira emergente].

"Não queremos que vocês coloquem os seus celulares no silencioso", disse ele ao público. "Queremos que vocês estejam conectados a tudo o que está acontecendo no mundo".

Pelo menos metade do público trabalhou multiplamente em laptops, iPhones e BlackBerrys enquanto ouvia os oradores. E muitos postavam comentários no Twitter, que eram constantemente atualizados em um telão atrás do palco. Além dos participantes em Claremont, os organizadores disseram que cerca de 1.300 pessoas assistiram a transmissão ao vivo da conferência pela Internet em todo o mundo.

Há, claro, inconvenientes para toda revolução. Quando Jones pediu que o público gritasse ou tuitasse quaisquer objeções que tivessem com relação ao uso de redes sociais como o Facebook, alguém gritou: "Eu não me importo com aquilo que você comeu no café-da-manhã". E Roger Burns-Watson, que está começando uma igreja nos arredores de Columbus,Ohio, se perguntava se haveria espaço para Deus em um mundo de interação online 24 horas por dia, todos os dias da semana.

Conseguirá uma pequena e calma voz romper o ruído digital? "Deus pode não lhe enviar uma mensagem de texto hoje", disse Burns-Watson aos participantes. "E você será paciente com um Deus que não se movimenta em uma velocidade digital?".

Para ler mais:

Mídia e religião no Brasil. Entrevista especial com Leonildo Silveira Campos
A confluência entre Evangelho e comunicação
A Reforma. 500 anos depois de Calvino. Entrevista especial Leonildo Silveira Campos
“A mídia de massa é o grande púlpito de comunicação”. Entrevista especial com Silvio Weber
Uma fé dinâmica e atualizada
A Igreja e os meios de comunicação social. Entrevista com D. Ivo Lorscheiter

terça-feira, 16 de março de 2010

Como escrever um bom artigo

O que é bom a gente copia, por isso copiei aqui no blog o artigo abaixo que acredito ter umas dicas interessantes para quem tem que escrever artigos, ou simplesmente escrever algum texto mais simples.

Boa leitura

Escrever um bom artigo é bem mais fácil do que
a maioria das pessoas pensa. No meu caso, português foi sempre a minha pior matéria. Meu professor de português, o velho Sales, deve estar se revirando na cova.

Ele que dizia que eu jamais seria lido por alguém. Portanto, se você sente que nunca poderá escrever, não desanime, eu sentia a mesma coisa na sua idade.

Escrever bem pode ser um dom para poetas e literatos, mas a maioria de nós está apta para escrever um simples artigo, um resumo, uma redação tosca das próprias idéias, sem mexer com literatura nem com grandes emoções humanas.

O segredo de um bom artigo não é talento, mas dedicação, persistência e manter-se ligado a algumas regras simples. Cada colunista tem os seus padrões. Eu vou detalhar alguns dos meus e espero que sejam úteis para você também.

1. Eu sempre escrevo tendo uma nítida imagem da pessoa para quem eu estou escrevendo. Na maioria dos meus artigos para a Veja, por exemplo, eu normalmente imagino alguém com 16 anos de idade ou um pai de família.

Alguns escritores e jornalistas escrevem pensando nos seus chefes, outros escrevem pensando num outro colunista que querem superar, alguns escrevem sem pensar em alguém especificamente.

A maioria escreve pensando em todo mundo, querendo explicar tudo a todos ao mesmo tempo, algo na minha opinião meio impossível. Ter uma imagem do leitor ajuda a lembrar que não dá para escrever para todos no mesmo artigo. Você vai ter que escolher o seu público alvo de cada vez, e escrever quantos artigos forem necessários para convencer todos os grupos.

O mundo está emburrecendo porque a TV em massa e os grandes jornais não conseguem mais explicar quase nada, justamente porque escrevem para todo mundo ao mesmo tempo. E aí, nenhum das centenas de grupos que compõem a sociedade brasileira entende direito o que está acontecendo no país, ou o que está sendo proposto pelo articulista. Os poucos que entendem não saem plenamente ou suficientemente convencidos para mudar alguma coisa.

2. Há muitos escritores que escrevem para afagar os seus próprios egos e mostrar para o público quão inteligentes são. Se você for jovem, você é presa fácil para este estilo, porque todo jovem quer se incluir na sociedade.

Mas não o faça pela erudição, que é sempre conhecimento de segunda mão. Escreva as suas experiências únicas, as suas pesquisas bem sucedidas, ou os erros que já cometeu.

Querer se mostrar é sempre uma tentação, nem eu consigo resistir de vez em quando de citar um Rousseau ou Karl Marx. Mas, tendo uma nítida imagem para quem você está escrevendo, ajuda a manter o bom senso e a humildade. Querer se exibir nem fica bem.

Resumindo, não caia nessa tentação, leitores odeiam ser chamados de burros. Leitores querem sair da leitura mais inteligentes do que antes, querem entender o que você quis dizer. Seu objetivo será deixar o seu leitor, no final da leitura, tão informado quanto você, pelo menos na questão apresentada.

Portanto, o objetivo de um artigo é convencer alguém de uma nova idéia, não convencer alguém da sua inteligência. Isto, o leitor irá decidir por si, dependendo de quão convincente você for.

3. Reescrevo cada artigo, em média, 40 vezes. Releio 40 vezes, seria a frase mais correta porque na maioria das vezes só mudo uma ou outra palavra, troco a ordem de um parágrafo ou elimino uma frase, processo que leva praticamente um mês.

Ninguém tem coragem de cortar tudo o que tem de ser cortado numa única passada. Parece tudo tão perfeito, tudo tão essencial. Por isto, os cortes são feitos aos poucos.

Depois tem a leitura para cuidar das vírgulas, do estilo, da concordância, das palavras repetidas e assim por diante. Para nós, pobres mortais, não dá para fazer tudo de uma vez só, como os literatos.

Melhor partir para a especialização, fazendo uma tarefa BEM FEITA por vez.

Pensando bem, meus artigos são mais esculpidos do que escritos. Quarenta vezes talvez seja desnecessário para quem for escrever numa revista menos abrangente. Vinte das minhas releituras são devido a Veja, com seu público heterogêneo onde não posso ofender ninguém.

Por exemplo, escrevi um artigo "Em terra de cego quem tem um olho é rei". É uma análise sociológica do Brasil e tive de me preocupar com quem poderia se sentir ofendido com cada frase.

O Presidente Lula, apesar do artigo não ter nada a ver com ele, poderia achar que é uma crítica pessoal? Ou um leitor achar que é uma indireta contra este governo? Devo então mudar o título ou quem lê o artigo inteiro percebe que o recado é totalmente outro?

Este é o tipo de problema que eu tenho, e espero que um dia você tenha também.

O meu primeiro rascunho é escrito quando tenho uma inspiração, que ocorre a qualquer momento lendo uma idéia num livro, uma frase boba no jornal ou uma declaração infeliz de um ministro. Às vezes, eu tenho um bom título e nada mais para começar. Inspiração significa que você tem um bom início, o meio e dois bons argumentos. O fechamento vem depois.

Uma vez escrito o rascunho, ele fica de molho por algum tempo, uma semana, até um mês. O artigo tem de ficar de molho por algum tempo. Isso é muito importante.

Escrever de véspera é escrever lixo na certa. Por isto, nossa imprensa vem piorando cada vez mais, e com a internet nem de véspera se escreve mais. Internet de conteúdo é uma ficção. A não ser que tenha sido escrito pelo próprio protagonista da notícia, não um intermediário.

A segunda leitura só vem uma semana ou um mês depois e é sempre uma surpresa. Tem frases que nem você mais entende, tem parágrafos ridículos, mas que pelo jeito foi você mesmo que escreveu. Tem frases ditas com ódio, que soam exageradas e infantis, coisa de adolescente frustrado com o mundo. A única solução é sair apagando.

O artigo vai melhorando aos poucos com cada releitura, com o acréscimo de novas idéias, ou melhores maneiras de descrever uma idéia já escrita.

Estas soluções e melhorias vão aparecendo no carro, no cinema ou na casa de um amigo. Por isto, os artigos andam comigo no meu Palm Top, para estarem sempre à disposição.

Normalmente, nas primeiras releituras tiro excessos de emoção. Para que taxar alguém de neoliberal, só para denegri-lo? Por que dar uma alfinetada extra? É abuso do seu poder, embora muitos colunistas fazem destas alfinetadas a sua razão de escrever.

Vão existir neoliberais moderados entre os seus leitores e por que torná-los inimigos à toa? Vá com calma com suas afirmações preconceituosas, seu espaço não é uma tribuna de difamação.

4. Isto leva à regra mais importante de todas: você normalmente quer convencer alguém que tem uma convicção contrária à sua. Se você quer mudar o mundo você terá que começar convencendo os conservadores a mudar.

Dezenas de jornalistas e colunistas desperdiçam as suas vidas e a de milhares de árvores, ao serem tão sectários e ideológicos que acabam sendo lidos somente pelos já convertidos. Não vão acabar nem mudando o bairro, somente semeando ódio e cizânia.

Quando detecto a ideologia de um jornalista eu deixo de ler a sua coluna de imediato. Afinal, quero alguém imparcial noticiando os fatos, não o militante de um partido. Se for para ler ideologia, prefiro ir direto na fonte, seja Karl Marx ou Milton Friedman. Pelo menos, eles sabiam o que estavam escrevendo.

É muito mais fácil escrever para a sua galera cativa, sabendo que você vai receber aplausos a cada "Fora Governo" e "Fora FMI". Mas resista à tentação, o mercado já está lotado deste tipo de escritor e jornalista. Economizaríamos milhares de árvores e tempo se graças a um artigo seu, o Governo ou o FMI mudassem de idéia.
5. Cada idéia tem de ser repetida duas ou mais vezes. Na primeira vez você explica de um jeito, na segunda você explica de outro. Muitas vezes, eu tento encaixar ainda uma terceira versão.

Nem todo mundo entende na primeira investida, a maioria fica confusa. A segunda explicação é uma nova tentativa e serve de reforço e validação para quem já entendeu da primeira vez.

Informação é redundância. Você tem que dar mais informação do que o estritamente necessário. Eu odeio aqueles mapas de sítio de amigo que se você errar uma indicação você estará perdido para sempre. Imagine uma instrução tipo: "se você passar o posto de gasolina, volte, porque você ultrapassou o nosso sítio".

Ou seja, repeti acima uma idéia mais ou menos quatro vezes, e mesmo assim muita gente ainda não vai saber o que quer dizer "redundância" e muitos nunca vão seguir este conselho.

Neste mesmo exemplo acima também misturei teoria e dois exemplos práticos. Teoria é que informação para ser transmitida precisa de alguma redundância, o posto de gasolina foi um exemplo.

Não sei porque tanto intelectual teórico não consegue dar a nós, pobres mortais, um único exemplo do que ele está expondo. Eu me recuso a ler intelectual que só fica na teoria, suspeito sempre que ele vive numa redoma de vidro.

6. Se você quer convencer alguém de alguma coisa, o melhor é deixá-lo chegar à conclusão sozinho, em vez de você impor a sua. Se ele chegar à mesma conclusão, você terá um aliado. Se você apresentar a sua conclusão, terá um desconfiado.

Então, o segredo é colocar os dados, formular a pergunta que o leitor deve responder, dar alguns argumentos importantes, e parar por aí. Se o leitor for esperto, ele fará o passo seguinte, chegará à terrível conclusão por si só, e se sentirá um gênio.

Se você fizer todo o trabalho sozinho, o gênio será você, mas você não mudará o mundo, e perderá os aliados que quer ter.

Num artigo sobre erros graves de um famoso Ministro, fiquei na dúvida se deveria sugerir que ele fosse preso e nos pagar pelo prejuízo de 20 bilhões que causou, uma acusação que poderia até gerar um processo na justiça por difamação.

Por isto, deixei a última frase de fora. Mostrei o artigo a um amigo economista antes de publicá-lo, e qual não foi a minha surpresa quando ele disse indignado: "um ministro desses deveria ser preso". A última frase nem foi necessária.

Portanto, não menospreze o seu leitor. Você não estará escrevendo para perfeitos idiotas e seus leitores vão achar seus artigos estimulantes. Vão achar que você os fez pensar.

7. O sétimo truque não é meu, aprendi num curso de redação. O professor exigia que escrevêssemos um texto de quatro páginas. Feita a tarefa, pedia que tudo fosse reescrito em duas páginas sem perder conteúdo.
Parecia impossível, mas normalmente conseguíamos. Têm frases mais curtas, têm formas mais econômicas, tem muita lingüiça para retirar.

Em dois meses aprendemos a ser mais concisos, diretos, e achar soluções mais curtas. Depois, éramos obrigados a reescrever tudo aquilo novamente em uma única página, agora sim perdendo parte do conteúdo.
Protesto geral, toda frase era preciosa, não dava para tirar absolutamente nada. Mas isto nos obrigava a determinar o que de fato era essencial ao argumento, e o que não era.

Graças a esse treino, a maioria das pessoas me acha extremamente inteligente, o que lamentavelmente não sou, fui um aluno médio a vida inteira. O que o pessoal se impressiona é com a quantidade de informação relevante que consigo colocar numa única página de artigo, e isto minha gente não é inteligência, é treino.

Portanto, mãos à obra. Boa sorte e mudem o mundo com suas pesquisas e observações fundamentadas, não com seus preconceitos.

Stephen Kanitz

sábado, 14 de novembro de 2009

Sites para preparação de Homilias


Navegando pela internet para buscar sites que pudessem oferecer algum material que fosse interessante e de auxílio para as reflexões homiléticas encontrei ao longo dos anos este que quero agora partilhar com todos:

http://www.mundocatolico.com.br/
Este site traz um bom conteúdo, ele tem um visual antigo, mas as reflexões são muito boas.

http://www.buscandonovasaguas.com/
Este site disponibiliza materia para reflexão em documento de texto e Apresentação(Power Point).

http://www.religiaocatolica.com.br/santosdodia_novembro.asp
Sessão do site religião católica que apresenta os santos do dia, também algo necessário para a reflexão dos dias de memória.

http://blog.cancaonova.com/homilia/
Blog que traz boas reflexões diárias.

http://www.presbiteros.com.br/
Tradicional site que disponibiliza material para reflexões.

http://www.arquidiocese-pa.org.br/v2/lerMeditacao.php
Site da Arquidiocese de Pouso Alegre que disponibiliza também reflexão sobre a liturgia dominical.

http://www.homilia.com.br/
Este site oferece reflexões para todo o ano antecipadamente.

http://www.teologiafeevida.com.br/modules/news/index.php?storytopic=5
Este site também traz um bom conteúdo sobre homilias, além de outros materiais para formação.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Trinity Stores (Tradução)

Olá amigos(as)

Um dos sites que traz grande número de ícones modernos é o www.trinitystores.com . Porém, há um grande inconveniente para a maioria dos leitores brasileiros, o site é em língua inglesa e isso complica bastante a assimilação do rico conteúdo do site.
Para amenizar esse inconveniente eu sugiro o seguinte:
a) Clique no linque abaixo, e você será direcionado ao site de traduções do google
http://translate.google.com.br/?hl=pt-BR&sl=en&tl=pt
b) feito o item anterior, digite o endereço do site: www.trinitystores.com
no campo que o site acima lhe oferecerá e dê um duplo clique no botão traduzir
c) feito isso, já poderemos desfrutar de uma tradução automática do site www.trinitystores.com

Espero que aproveitem a dica, qualquer dúvida é só postar um comentário e estarei a disposição para responder.

Paulo Giovanni

terça-feira, 3 de março de 2009

O Altar de Pérgamo

Pesquisando sobre a cidade de Pérgamo (atual Bergama na Turquia), descobri algumas curiosidades muito belas. A mais bela é o Altar de Pérgamo que atualmente se encontra na Alemanha.

Neste link vocês poderão conferiar as belas fotos do Altar

http://rubens.anu.edu.au/laserdisk/pergamon/ para visualizar a imagem em tamanho maior é só clicar em "Big" ao lado da foto.

domingo, 1 de março de 2009

Igrejas Não -Calcedonianas

Igrejas não-calcedonianas


As Igrejas não-calcedonianas são uma denominação cristã que surgiu em seguida ao Concílio de Calcedônia, em 451, elas também são denominadas Igrejas monofisitas.

As Principais Igrejas são: Igrejas Alexandrinas (Igreja Ortodoxa Copta e Igreja Ortodoxa Etíope), as Igrejas sírias (Igreja Siríaca Ortodoxa de Antioquia e Igreja Católica Ortodoxa Siriana do Brasil, ICOSB) e Igreja Apostólica Armênia.



Igreja Siríaca Ortodoxa


Para a Igreja Siríaca o apostolado recebido de Jesus Cristo passou de Pedro para Evódio e deste para Ignatius, o Iluminado, e assim sucessivamente de patriarca para patriarca e dos patriarcas para os bispos e destes para os sacerdotes e diáconos até os dias atuais.

O sacerdócio bem como o diaconato está dividido em cinco categorias na Igreja Siríaca

O diaconato é uma instituição de ordenação sagrada pela imposição das mãos de um Bispo ou Patriarca da Igreja, constituindo-se no primeiro degrau da escala sacerdotal na Igreja Siriaca Ortodoxa de Antioquia.

As cinco categorias do diaconato distinguem-se pelo uso das faixas (dalmáticas - HORURE), todos os diáconos usam uma túnica branca (alva). O diácono não é um ministro e sim um auxiliar do ministro na Igreja, sua função é voluntária e não deve nunca receber paga pelo que faz. O diácono é chamado de Mxamxono em siríaco, e quer dizer "aquele que serve". No linguajar popular chamam-no de Xamoxo e tem o mesmo significado.
Numa escala ascendente, ou seja, da menor ordenação para a maior os diáconos podem ser:
1º - Mzamrone (cantores) - é o grau mais simples do diaconato. Só usam a túnica branca e no início da Igreja eram os cantores do coral da Igreja.
2º - Koruie (leitores) - além da alva usam a faixa em desenho de cruz na frente e nas costas como asas de anjos e sua função está definida no próprio nome, limitavam-se às leituras das cartas orientadoras dos apóstolos e do velho testamento.
3º - Afediacone (guardiões) - é a categoria essencial do diaconato, tem a função de guardiões da Igreja contra invasões, busca manter a ordem entre os leigos, os neófitos, vestem-se com a alva e a dalmática iniciando-se por sobre o ombro esquerdo dá a volta por trás e torna a lançá-la por sobre o ombro esquerdo dando a conotação da espada do guardião. O afediacono tinha a obrigação de auxiliar na mesa servindo os necessitados, órfãos, amparando viúvas e doentes, participar ativamente das obras pias, etc.
4º - Euengueloie (evangelistas) - tem a função de ler o Evangelho, explicando e ensinando o conteúdo do Livro Sacro. Sua obrigação básica é a evangelização e o trabalho missionário. Deve o diácono evangelista, se convocado, acompanhar o sacerdote quando este leva a comunhão a um doente ou moribundo; sobre suas mãos o sacerdote pode depositar a comunhão, deve ser cônscio das suas funções, humilde e atencioso, pois, quando o sacerdote levava antigamente a comunhão ao doente ou moribundo, isto é, fora do recinto da Igreja e no trajeto não podia falar com ninguém. O diácono desta categoria, veste por sobre a alva a faixa caída por sobre o ombro esquerdo para frente e para trás; a disposição da faixa dá a idéia de coluna.
5º - Arquidiacon (arquidiácono) - é o líder dos diáconos na Igreja, merece respeito e normalmente deve ser uma pessoa profundamente culta, ponderada, paciente e principalmente humilde. Ensina os diáconos mais novos, divide e coordena distribuindo as funções ou atividades entre os diáconos. Veste-se com a alva e usa todos os paramentos sacerdotais isto é a estola, o cinturão e os manípulos, menos a grande capa sacerdotal (casulo), exclusiva do sacerdócio, se fez voto de celibato e recebeu o pálio menor deve usá-lo.

A cerimônia de ordenação dos dois níveis mais altos do diaconato ou seja para as categorias de evangelista e arquidiácono é a mesma dos sacerdotes, mas os diáconos não têm o direito pleno do sacerdote para ministrar sacramentos.

Santo Afrem, o Siríaco, diácono e monge, organizou o canto na e oficializou o diaconato para as meninas e mulheres.

Na Igreja Siríaca Ortodoxa de Antioquia nos primórdios do Cristianismo e isto já por volta de 400 a 600 AD, vestiam as diaconisas longas túnicas brancas, mais largas que as dos diáconos e usavam faixas ao estilo dos "afediacone" ou seja equiparando-se a terceira categoria hierárquica dos diáconos, e, eram constantes as referências a seus trabalhos nas Igrejas, Mosteiros ou Conventos, escolas, etc ...

As ordenações sacerdotais:

1º - DAIROIO XARUOIO (frade) - trata-se da primeira ordenação que um sacerdote pode receber a partir do diaconato, e restringe-se a fazer seu voto sacerdotal de vida celibatária recebendo o pálio menor das mãos de um prelado ou patriarca. Não ministra sacramentos e sua vida pode ser dirigida exclusivamente para a vida monacal contemplativa, ou para o serviço social. O pálio menor pode ser tanto dirigido aos homens como às mulheres.

2º - COHNO ou CAXIXO, (é a partir deste grau que começam as categorias e ordenações sacerdotais) sacerdote ou padre pleno, tem sua ordenação presidida por um patriarca, maferiono, arcebispo, bispo ou epíscopo e pela imposição das mãos a exemplo dos apóstolos recebe a partir daí o direito de ministrar os sacramentos à comunidade. Esta função como as demais que citaremos do sacerdócio é exclusiva do sexo masculino.
A partir deste nível de ordenação sacerdotal exige-se o uso do solidéu ( do latim soli Deo que quer dizer sómente a Deus e para os siríacos chama-se firo que em aramaico quer dizer fruto) durante o ministério dos sacramentos.

Especificamente o padre na sua paróquia deve trabalhar de comum acordo com o Conselho Administrativo laico escolhido pelos fiéis e em caso de impossibilidade ele mesmo pode nomear um conselho para auxiliá-lo na administração laica. O sacerdote tem o dever e a obrigação de eliminar do corpo administrativo do Conselho elementos de idoneidade dúbia.
O sacerdote preferivelmente não deve se envolver nas questões materiais, mas tem obrigação de supervisioná-las e o seu acesso deve ser permanente, no entanto, sua função maior é buscar ensinar, orientar e trazer para a vida cristã o maior número de fiéis; deve ser estudioso, sábio, humilde, praticar corretamente os rituais, respeitar os seus superiores espirituais hierárquicos e observar rigorosamente as regras, cânones e tradições da Igreja.
Os padres na Igreja Siriaca Ortodoxa de Antioquia podem ser celibatários ou casados e não podem ser portadores de nenhum defeito físico ou mental, devem ter boa aparência, corretos na sua conduta e ilibada idoneidade moral.
No caso de celibatários, são escolhidos dentre os monges e diáconos e fazem voto permanente de castidade. Mesmo como padres celibatários podem continuar nos mosteiros, nas escolas, nas sedes diocesanas, patriarcal ou em suas cavernas. Devido às constantes baixas sofridas pela Igreja, os padres celibatários foram forçados a servir nas igrejas paroquiais anteriormente redutos exclusivos dos padres casados.
Já os padres casados só podem receber a ordenação sacerdotal depois de ter contraído o matrimônio, e, preferencialmente não ter filhos após a ordenação. Na antigüidade os padres casados eram escolhidos entre os diáconos mais velhos para servir as paróquias mas atualmente os seminaristas que optarem pela vida conjugal podem contrair núpcias antes da ordenação e seguir uma vida conjugal normal uma vez que ainda não receberam o pálio menor.
O padre celibatário ou não, bem como o diácono e a diaconisa devem ser ordenados especificamente para servir um altar, desta forma o prelado que preside a ordenação declara para o altar de que igreja ou mosteiro foi ordenado.
3º- CURA-EPISCOPO - Os padres casados podem ser elevados à condição de cura-epíscopo e quando em estado de viuvez tanto o padre casado como o cura-epíscopo podem ser ordenados epíscopos.
O cura-episcopo pode ser o líder de um grupo de padres casados num lugar específico, tem cargo de liderança e respeito, usa a cruz peitoral, e sua sobrepeliz, é revestida internamente da cor violeta.
O epíscopo tem os mesmos poderes de um bispo, paramenta-se como tal, no entanto, o epíscopo não pode vir a ser patriarca mas tem voto no Santo Sínodo , sendo considerado no Santo Sínodo como o menor dos irmãos. São raros na Igreja Siríaca os casos de ordenação desta categoria. Destacam-se nestes casos só os que prestaram serviços relevantes à cultura ou à administração comunitária.
Os padres celibatários recebem o pálio menor na sua ordenação monacal, símbolo de castidade e celibato. Em termos de poder, os padres celibatários ou não, tem os mesmos direitos, no entanto só os padres celibatários podem ser ordenados bispos, arcebispos, metropolitas, maferione (católicos) ou patriarcas.
Básicamente para o ministério dos sacramentos os sacerdotes celibatários ou casados usam sempre sobre o hábito uma túnica branca e sobre ela a estola presa à altura da cintura por um cinturão, cingindo-lhes as costas, os manípulos ou punhos e o casulo, ou capa sacerdotal. Os celibatários usam o solidéu por baixo do pálio menor e os casados usam só o solidéu.
4º - HASIO - Na Igreja Siríaca Ortodoxa de Antioquia o bispo é chamado de HASIO que quer dizer puro ou justo e desta palavra aramaica se originou o termo "essênio".
Como vimos no capítulo anterior referente à jurisdição da Igreja, a constituição canônica dá os mesmos direitos e significados para os termos "bispo, arcebispo e metropolita", pois, em siríaco a única palavra para tal desinência é HASIO. Desta forma restringiremos o uso à palavra bispo para melhor explanação. Sua sobrepeliz deve ter nos internos a cor vermelha, tem direito ao uso do báculo e da cruz manual e recebe o pálio maior (Masnafto) diretamente do patriarca ou do maferiono.
O bispo pode e deve ordenar diáconos, diaconisas e monges, monjas, frades e padres para a sua jurisdição com a devida anuência patriarcal e sobre suas atribuições administrativas já discorremos anteriormente.
5º - O MAFERIONO que em siríaco quer dizer "frutífero" e que na sua ordenação recebe o título de "católicos" isto é "universal" é o equivalente (grosseiramente) a um vice-patriarca, tem sob sua jurisdição diversas dioceses e arquidioceses. Mantém em sua jurisdição um sínodo de jurisdição local e pode ordenar inclusive novos bispos. A Igreja Siriaca Ortodoxa de Antioquia pela extensão territorial teve diversos "maferione"(plural de maferiono) subsistindo este cargo até os nossos dias só na Índia. É bom lembrar que hierarquicamente o "maferiono" nas suas atribuições comparativamente é superior ao cargo cardinalício da Igreja Católica Romana.
O "maferianato' da Índia possui hoje algo como 1500 igrejas, 2000 sacerdotes, 3 universidades, diversos mosteiros, centenas de escolas dominicais, entidades evangelizadoras, entidades pias e assistências de saúde.
Em caso de morte do "maferiono', compete ao Patriarca e ao Santo Sínodo nomear o novo substituto de comum acordo com o clero e a comunidade local.
6º - O PATRIARCA é o grau hierárquico mais alto da Igreja Siríaca Ortodoxa de Antioquia e é o representante de Nosso Senhor Jesus Cristo na Terra, é o sucessor direto de São Pedro o Apóstolo e é irmão e amado dos apóstolos, deve ser obrigatoriamente celibatário e escolhido entre os bispos da Igreja em Concílio Sinodal. Seus atos e decisões são inquestionáveis desde que não firam os cânones da Igreja em questões de fé; tem direito ao título de santidade mas não de infalibilidade. Deve ser puro, sábio, literato, deve ensinar e cuidar da Igreja, é o guardião da fé verdadeira, preside o Santo Sínodo.


Uma dissidência Brasileira:


A Igreja Católica Ortodoxa Siriana do Brasil é originária da Igreja Siríaca Ortodoxa no Brasil, quando seu bispo, Rabban Moussa Matanos Salama, atuando como missionário nas comunidades siríacas no Brasil desde 1959, decidiu atuar entre os brasileiros de outras etnias.

Em 1983 Rabban Moussa Matanos Salama foi sagrado bispo pelo Patriarca da Igreja Ortodoxa Síria (Jacobita) de Antioquia, Ignatius Zakka I Iwas, adotando o título de Mar Crisóstomo.

A atitute de nacionalizar a Igreja Sírica levou a um cisma em 1986 e Mar Crisóstomo acabou por organizar a ICOSB recebendo alguns dissidentes da Igreja Católica Apostólica Brasileira que necessitaram de ordenação e alguns da Igreja Católica Apostólica Romana que não necessitaram ser ordenados. A ICOSB é participante do CONIC.

A ICOSB aceita, a princípio, os três primeiros Concílios Ecumênicos (monofisismo), apesar que a Igreja Síria Ortodoxa participa do diálogo para a unidade cristã. Possui práticas ortodoxas respeitando elementos do catolicismo romano por sua índole ecumênica. Diferentemente das outras igrejas orientais, possui elementos sincréticos do catolicismo popular brasileiro, por exemplo não é exclusivamente iconoclasta adotando imagens nas suas igrejas. Também acreditam no purgatório. Não exigem o celibato clerical como única forma de vida imposta admitindo homens casados ao sacerdócio. Possui elementos pentecostais por causa da índole cultural e religiosa do Brasil.


Igreja Copta Ortodoxa


O número de cristãos de rito copta é superior a 40 milhões, estando distribuídos principalmente pelo Egipto (10 milhões), Etiópia (30 milhões) e Eritréia (2 milhões), e também por Israel e Sudão. Os coptas celebram o Natal em 7 de Janeiro. Uma costume curioso da Igreja Copta é que, em muitas missas, ainda reza-se e lê-se em copta, a língua original do Antigo Egito.


Igreja Apostólica Armênia


A Igreja Apostólica Armênia se separou das demais Igrejas do mundo após o Concílio de Calcedônia em 451, por não aceitar as determinações consideradas pró-nestorianistas. A Igreja Armênia é chamada de monofisista, mas ela também considera herética a existência apenas da natureza divina de Cristo, defendida por Eutiques, mas também refutou a existência bem delimitada e inconfusa de Humanidade e Divindade na pessoa de Jesus, defendida por Nestório. A Igreja Armênia achou um ponto de equilíbrio entre as duas doutrinas, aceitando que em Jesus há a parte humana e a parte divina, havendo apenas uma natureza do verbo encarnado.

Sua sede patriarcal é Etchmiadzin.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Homilias

http://www.homilia.com.br/

Navegando pela web encontrei este interessante site que disponibiliza todas as homilias do ano. É mais um subsídio a mão dos agentes de pastoral e ministros da Palavra.

domingo, 25 de janeiro de 2009

‘Excesso de zelo metodológico’

João Batista Libanio *

Adital -
Há marcante diferença entre certos ambientes acadêmicos de abertura e diálogo e a repercussão midiática de discussões aí travadas. Some-se a tal um traço da psicologia brasileira, pouco afeita ao debate sereno das idéias sem imiscuir aspectos pessoais, afetivos e emocionais. E quando o tema carrega por si mesmo explosivos ideológicos, o jogo soberano das idéias se faz ainda mais dificultado.

Os dois artigos de Clodovis Boff e as críticas que lhes foram feitas por abalizados teólogos da libertação têm causado certa perplexidade num público pouco acostumado a tais confrontos. Até então a teologia da libertação parecia uma fortaleza na defesa dos pobres somente atacada por adversários situados no outro pólo ideológico ou eclesial. E agora, alguém que tem um passado profundamente ligado á opção pelos pobres e não renuncia, de modo nenhum, a prosseguir aderindo a ela, traz reparos à maneira como teólogos da libertação têm procedido nesse campo.

Santo Inácio aconselha aos orientadores dos Exercícios Espirituais respeitar a verdade do outro, ser acolhedor e mais disposto a salvar a proposição do próximo do que a condená-la (EE. EE. 22). Nesse espírito inaciano, com certa dose de mineirice, tentarei entrar no coração da afirmação dos contendentes, entendê-la e só depois oferecer observações.

Clodovis Boff parte da preocupação radical de mostrar em que consiste a real episteme da teologia. Ela deve partir do princípio da fé em Jesus Cristo. E a fé em Jesus Cristo se configura pelas Escrituras cristãs, como ele já em outros escritos insistia. E as Escrituras cristãs englobam a Sagrada Escritura e o que a reflexão da fé eclesial elaborou em termos dogmáticos ao longo do século. Ao se pôr o pobre no seu lugar, corre-se o risco de encurtar a teologia, de ideologizá-la, perdendo de vista a referência primeira e principial de Jesus Cristo. Em termos abstratos, nenhum teólogo discordaria de tal posição. Portanto, o nó da discussão não está aí.

A pergunta continua: com que critério ler e entender a fé em Jesus Cristo. Por mais ortodoxa que pareça ser a fé em Jesus Cristo, ela tem sido ideologizada ao longo dos séculos por muitos interesses ou isolada dos grandes problemas sociais. Os teólogos da libertação avançam dizendo que o lugar para entender e interpretar a fé em Jesus Cristo são os pobres. Não se trata somente do lugar social, mas também do lugar de intelecção. E a razão vem do próprio Cristo que quis manifestar-se, revelar-se, ele mesmo pobre e em íntima comunhão com os pobres. Fora dessa perspectiva, a compreensão de Jesus Cristo pode ser distorcida. E este é o ponto central. E disso a teologia da libertação não abre mão.

Cl. Boff teria razão em termos teóricos e abstratos. Ele alerta os teólogos da libertação para que o lugar do pobre se entenda em íntima articulação com a fé em Jesus Cristo. Os pobres não podem descolar da pessoa de Jesus. E recebem de Jesus toda sua luz. É uma luz intensa e profunda, porque os pobres entram no plano da revelação e da salvação de modo central por opção do próprio Deus.

A preocupação, embora legítima de Cl. Boff com o aspecto da fé em Jesus como princípio da teologia, manifestada de maneira contundente no artigo da REB (Cl. Boff: Volta ao fundamento: réplica, in REB 68 (2008), n. 272, p. 892-927), corre o risco de ser interpretada por pessoas alheias as filigranas teológicas como deslegitimante da opção pelos pobres. Esta não entra em questão, já que sua evangelicidade está fora de qualquer discussão.

Os reparos teóricos à primazia dada ao pobre pelos teólogos da libertação em nome da pureza metodológica da teologia soam antes acadêmicos que pastorais. Cl. Boff adverte para o fato de que falhas metodológicas acarretam graves conseqüências para a vivência da fé e para a pastoral. Ele não está de acordo com a posição de teólogos da libertação que minimizam sua posição, julgando-a exageradamente ortodoxa e que preferem "errar com os pobres" do que cultivar metodologia asséptica.

Sem retirar em nada minha profunda estima por Cl. Boff e pelo valor de seus escritos, de que me considero devedor, custa-me entender esse excesso de zelo metodológico em relação a uma teologia cujo serviço maior à Igreja da América Latina e de todo o mundo consistiu precisamente em afirmar com força e clareza a centralidade do pobre para além do lugar social, ao atingir a própria compreensão de Jesus. A questão central para mim gira em torno do critério de que dispomos para interpretar a fé em Jesus. E Jesus mesmo se autodefiniu na dupla realidade de Filho em face de Deus e de identificado com os pobres. Portanto, essas duas coordenadas permitem-me saber o que significa a fé em Jesus, princípio da teologia. Sem os pobres, não sei bem como pensar teologicamente a revelação. Essa precedência do pobre não contradiz ao aspecto principial da fé em Jesus, mas dá-lhe concretude, consistência, conteúdo, impedindo que a fé se perca em abstrações e alienações. Os risco do desvio da fé em Jesus pela ausência dos pobres é muito maior do que o risco de deturpar a figura de Jesus pelo excesso, mesmo ideológico, da relevância do pobre. Talvez tal aspecto falte ao rigor teórico do texto de Cl. Boff.

Os teólogos da libertação aprendemos dessa exigência metodológica de Cl. Boff manter bem clara a relação cristológica da opção pelos pobres. Aqui soa a frase de Bento XVI no discurso inaugural de Aparecida: "a opção preferencial pelos pobres está implícita na fé cristológica naquele Deus que se fez pobre por nós, para enriquecer-nos com sua pobreza". E, por sua vez, a intuição e a prática da teologia da libertação mantêm toda teologia alerta para não se perder em reflexões ortodoxas, seguras, mas sem relevância existencial, social e pastoral. O debate, em vez de desgastar-nos, serve para manter ainda mais firme e clara a opção pelos pobres na elaboração teológica e na prática pastoral - contribuição da teologia da libertação - e o olhar claro e sem rebuço para a pessoa de Cristo que se fez pobre e que nos propõe os pobres como aqueles com que ele se identificou e a partir de quem o interpretamos segundo sua vontade.

[Publicado e enviado por Jornal de Opinão - www.jornaldeopiniao.com.br]


* SJ, é teólogo, escritor e colunista do Jornal de Opinião